Flores para o Carteiro — Capítulo 1: O Som do Sino da Manhã
Por Haru Aoki
O primeiro som que a vila de Hanamachi ouvia todos os dias era o tilintar do sino preso à porta da pequena floricultura.
Era um som fininho, alegre, que balançava no mesmo compasso que o vento do mar.
E, todas as manhãs, Hana Kiyomi o ouvia antes mesmo de abrir as janelas.
Para ela, aquele som era o aviso de que o mundo ainda florescia, mesmo que o tempo por vezes fosse nublado.
A floricultura da família existia havia três gerações. Era uma casinha de madeira clara, com janelas amplas e vasos espalhados na beira da calçada.
Do outro lado da rua, subia o cheiro de pão recém-assado da padaria de Sra. Tanabe.
Crianças corriam a caminho da escola, e o carteiro passava sempre sorrindo com uma pilha de envelopes debaixo do braço.
Naquela manhã de início de primavera, Hana arrumava as prateleiras de tulipas brancas — suas favoritas. Enquanto molhava as pétalas com um spray d'água, ouviu o barulho conhecido da bicicleta do carteiro se aproximando.
Ela se virou.
O sino da porta soou novamente, e o vento trouxe junto o cheiro de maresia.
— Bom dia, senhorita Hana! — disse o carteiro, inclinando levemente o corpo em saudação. Ele vestia o uniforme azul e um chapéu ligeiramente torto. Havia no sorriso dele uma mistura de timidez e hábito. — Tenho um pacote para a floricultura Kiyomi.
— Oh, bom dia! — respondeu ela, limpando as mãos no avental. — É raro recebermos entregas direto aqui.
— Pois é… veio de Tóquio. Parece importante. — Ele olhou o pacote com curiosidade, mas não o suficiente para quebrar as regras do ofício.
Hana recebeu o embrulho e leu o remetente: "Museu Botânico de Hokkaido." Deve ser a encomenda das sementes raras que encomendara meses atrás.
— Muito obrigada, senhor…? — ela hesitou, percebendo que nunca perguntara o nome do carteiro. Ele parecia vir há tanto tempo que já fazia parte da paisagem.
— Matsuda. Ren Matsuda. — Ele ajeitou o chapéu. — Mas pode me chamar só de Ren.
— Hana Kiyomi — ela respondeu, sorrindo. — Embora acho que você já saiba.
— O selo carrega muitos nomes da vila — respondeu ele, rindo. — E o seu é sempre o mais perfumado.
Hana corou, surpresa com o elogio inesperado. Virou-se rapidamente para guardar o pacote no balcão, tentando disfarçar o rubor nas bochechas.
Ren percebeu, mas nada disse. Apenas olhou em volta, reparando nas paredes cobertas de vasos e nas fitas coloridas pendendo dos arranjos.
— É bonito aqui — comentou ele. — Parece que até o ar tem vontade de florir.
Hana respondeu com um sorriso pequeno, o tipo de sorriso que dura apenas o tempo de um suspiro.
Ren se despediu com um aceno e voltou para a bicicleta, que rangeu suavemente antes de sumir na rua de paralelepípedos.
Ela o observou se afastar até que o som das rodas foi engolido pela brisa.
Então, o sino balançou de novo com o fechar da porta.
E, por um instante, Hana sentiu que aquele toque simples ecoava diferente — como se anunciasse não apenas a manhã, mas algo novo que estava prestes a florescer.
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— Haru Aoki "Histórias que florescem em silêncio." 🌷

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